Como me proteger das variações cambiais comprando software?

setembro 22, 2016

Existem muitas empresas que desenvolvem software no mercado, muitos destes fabricantes estão sediados fora do país e o todos possuem algo em comum: a forma de distribuição – que é global. E por ser global, o cliente deve estar atento às variações cambiais, lembrando que o dólar é a moeda mais importante neste cenário, pois é mundialmente negociável. Então, como se proteger das variações do dólar? Para se proteger da variação do dólar é preciso conhecer o conceito da venda de software. O software é licenciado e não vendido.

A importância do Hedge Cambial

Quando se adquire um software paga-se pela propriedade intelectual e direito de uso, que pode ser perpétuo ou por um determinado período, de acordo com as regras impostas pelo fabricante do software. E isso interfere diretamente em sua precificação. A composição do preço de um licenciamento de software é a somatória de três fatores:

  1. Custo da solução
  2. Impostos
  3. Câmbio

O fabricante de software é responsável por definir o custo da solução, os impostos que incidem na distribuição do direito de uso do software são definidos por lei e o câmbio está sujeito às flutuações econômicas. Destes 3 fatores acima, como o custo da solução e os impostos são custos fixos, é no câmbio que se encontra uma oportunidade de otimizar o preço da aquisição. A maneira mais conhecida de se proteger da variação cambial é através das operações de hedge. Existem dois tipos comuns de hedge e para serem exemplificados é possível analisar o modelo da Microsoft. O valor de venda dos produtos em um contrato Microsoft é composto da seguinte maneira:

  • O preço do produto em dólar é fixado mediante a adição de 2% do valor de venda no total da operação.
  • O dólar contabilizado na operação é o dólar PTAX-2 de venda (pode ser encontrado no site do Banco Central do Brasil).

Neste esquema, a adição de 2% do valor de venda no total da operação é uma medida de proteção à variação cambial entre o período da venda e do pagamento, incorporada na fixação do dólar de dois dias anteriores (PTAX-2) ao momento da compra. Ou seja, em caso de contratos de duração de um ano, a visão do quanto será pago é precisa, já que no final do contrato não haverão mais parcelas. Este é o primeiro tipo de hedge, no entanto, o cenário é diferente em caso de contratos com anuidades. Nestes casos, o dólar PTAX-2 varia de um ano para o outro, deixando a sua empresa sujeita à exposição cambial. Em contratos de dois ou três anos, a moeda não é fixada no primeiro ano, e sim para os anos seguintes, pois a invoice da Microsoft ainda não foi emitida, então não sabemos qual será a taxa de dólar futura.

Para mitigar esse risco, o CIO/CFO ou quem for responsável pela demanda na empresa, no caso de se estar comprando um contrato de dois ou três anos, deve formalizar para o departamento financeiro de que a partir do momento da compra até a dois ou três anos, o contrato está exposto à variação do dólar.

Outra dica que irá ajudá-lo a manter seu budget de TI saudável é ficar atento às compras online. Nem todos os produtos disponíveis na web possuem o valor do impostos contemplado em seu valor de venda. Conte-nos suas experiências com a variação cambial nos comentários abaixo. Vamos conversar!

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